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Antigo fóssil de peixe preenche lacuna evolutiva, afirmam cientistas

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19/10/2006 – 14h20
 
SYDNEY, 19 out (AFP) – Um fóssil de 380 milhões de anos preencheu uma lacuna no entendimento de como os peixes evoluíram para os primeiros animais terrestres, afirmaram cientistas australianos nesta quinta-feira.

O esqueleto perfeitamente preservado revelou que o peixe desenvolveu características de animais terrestres muito mais cedo do que se pensava, disse o chefe das pesquisas John Long, do Museu Victoria, na Austrália.

"Conseguimos um peixe do período devoniano, cerca de 380 milhões de anos atrás, e preservado em uma impressionante perfeição tridimensional", disse Long.

"Ele revelou um conjunto inteiro de características que o liga a animais terrestres ou tetrápodes, portanto preenche uma lacuna na evolução a qual não conhecíamos antes", acrescentou.

O fóssil do peixe Gogonasus, encontrado na remota região de Kimberley, na Austrália ocidental, onde existiu no passado uma grande formação de coral, mostrava que o crânio tinha grandes buracos para respirar no topo da cabeça.

Ele também era dotado de nadadeiras musculares dianteiras com úmero, ulna e rádio bem formados, os mesmos ossos encontrados no braço humano, disseram os cientistas.

"O nível ao qual estas características lembram os mais remotos animais terrestres tetrápodes torna o Gogonasus um novo modelo na imagem de como os peixes evoluíram para animais terrestres", destacaram.

"O Gogonasus é a pista-chave na evolução dos vertebrados – o primeiro esqueleto perfeito e completo dos tipos de peixes que deram origem aos primeiros animais terrestres", acrescentaram.

A transição de um peixe respirando na água para um animal terrestre com pernas e braços foi uma das mais transições mais dramáticas na história da evolução e muitas perguntas sem resposta permaneceram, disse Long.

No início do ano, cientistas registraram a descoberta do Tiktaalik roseae, uma espécie de peixe com 375 milhões de anos considerado o elo perdido na transição de animais aquáticos para terrestres.

Enquanto o Tiktaalik tinha um crânio que era idêntico a um anfíbio, Long disse que o Gogonasus se parece muito mais com um peixe.

"Gostaria de dizer que é um lobo em pele de cordeiro. Mostra que a evolução não é direta como gostaríamos de pensar", acrescentou.

   

O fóssil foi exibido no Museu de Melbourne nesta quinta-feira e permanecerá em exposição por um mês.


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