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22/03/2007 – 07h00

Dinossauro vivia em tocas, afirma estudo

Cientistas acharam bicho de 100 milhões de anos em galeria cavada por ele no subsolo.
Dino-tatu tinha mais de 2 m de comprimento e usava abrigo para criar filhotes.
Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo
Foto 

Divulgação
O dino-tatu Oryctodromeus cubicularis. (Concepção artística: Lee Hall)

Ninguém sabe direito o que aconteceu com a pequena família — mãe (ou pai? Os parcos restos não permitem saber) e dois filhos, presos para sempre debaixo da terra. Mas, para os cientistas que os acharam, não importa muito: os resquícios são a prova cabal de que pelo menos uma espécie de dinossauro vivia em tocas no subsolo, tal como um tatu ou um coelho moderno.

Um dino de 2,1 m de comprimento numa toca subterrânea pode parecer delírio puro, mas o trio de pesquisadores que descobriu a nova espécie recolheu indícios minuciosos sobre esse modo de vida, até então impensável para as criaturas. Na verdade, pode-se dizer que o achado tem o apoio de quatro fósseis: os três animais (um adulto e dois filhotes) desenterrados e a própria toca, que também ficou preservada e pôde ser analisada em detalhe pela equipe.

"Saber que pelo menos um dinossauro vivia em tocas subterrâneas vai ser uma surpresa para a maioria das pessoas que os estudam", diz Anthony J. Martin, pesquisador da Universidade Emory (EUA) e um dos autores do estudo. "Alguns acham que, por causa da origem dos dinossauros como corredores bípedes, nós não deveríamos esperar uma coisa dessas. Mas, se levarmos em conta a longa existência deles, de mais de 160 milhões de anos, parece que pelo menos algum dinossauro deveria ter virado escavador em algum momento", completa David J. Varricchio, pesquisador da Universidade do Estado de Montana, no noroeste dos Estados Unidos, e também autor da pesquisa. 

Num buraco no chão vivia um dino

Os fósseis dos animais e da toca vêm do interior de Montana, de rochas com cerca de 100 milhões de anos de idade. "Tivemos muita sorte de achar tanto a toca quanto os dinossauros dentro dela", diz Martin. Ao analisar cuidadosamente os sedimentos que cercavam os fósseis, os pesquisadores notaram uma coisa um bocado esquisita. Os restos dos bichos pareciam estar no interior de um tubo curvo, o qual tinha composição e consistência muito diferentes das rochas nos arredores.

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Divulgação
Desenho mostra como era a toca da espécie. (Foto: Reprodução)

Os sedimentos do tubo davam sinais de ter vindo de camadas mais superficiais — exatamente o que se esperaria caso se tratasse de um buraco cavado, o qual foi preenchido mais tarde por bateladas de solo. Com esses dados, foi possível reconstruir a antiga toca: um túnel sinuoso que terminava abruptamente numa câmara mais larga.

A anatomia dos fósseis parece confirmar a idéia. Trata-se de uma nova espécie de dinossauro herbívoro, um membro do grupo dos ornitísquios (donos de uma espécie de "bico" na ponta do crânio). Não é à toa que o bicho ganhou o nome de Oryctodromeus cubicularis. Numa mistura de grego e latim, o apelido quer dizer literalmente "Cavador corredor da toca". O porquê disso? Por um lado, suas patas traseiras são suficientemente fortes para uma corrida a céu aberto; por outro, seu bico reforçado e a musculatura possante do ombro seriam ideais para um animal que usasse o focinho como uma pá e as patas da frente como escavadeiras.

"Isso significa que ele estava entre dois mundos, por assim dizer: tanto acima quanto abaixo do solo", afirma Martin. Se parece estranho um animal de mais de 2,1 m de comprimento estimado (contando a cauda) enfiado numa toca apertada, é bom lembrar que bichos modernos de tamanho comparável, como a hiena-listrada, também levam esse tipo de vida.

Por enquanto, os eventos que levaram à morte da família são um mistério. "Não há sinais de mordidas nem de fraturas nos ossos, o que indica que eles não foram mortos por um predador", avalia Varricchio. Uma possibilidade, diz Martin, é que todos tenham se afogado ou sufocado ao mesmo tempo. De qualquer maneira, a presença conjunta de um adulto com dois filhotes próximos da adolescência dá apoio a uma hipótese cada vez mais forte entre os paleontólogos: a de que os dinos cuidavam de seus bebês por longos períodos, tal como as aves e os mamíferos de hoje.

A chave para explicar o comportamento, aliás, talvez seja essa: as tocas poderiam servir de refúgio ideal para os filhotes no caso de um herbívoro relativamente pequeno e indefeso como o Oryctodromeus cubicularis. Por outro lado, enfiar-se debaixo da terra é uma estratégia interessante em ambientes muito frios ou desérticos. O engraçado é que outros ornitísquios pequenos da região compartilham traços do esqueleto com o dino-tatu, o que pode indicar que eles também eram cavadores.

Toupeiras dinossaurianas?

O achado mostra de uma vez por todas que nenhum nicho ecológico terrestre era vedado aos dinossauros. Mas será que os bichos poderiam ter desenvolvido adaptações ainda mais extremas ao subsolo, tornando-se cegos habitantes das profundezas, como as toupeiras modernas?

A dupla americana discorda nesse ponto. "Eu ficaria muito surpreso se encontrasse um dinossauro que passasse o tempo todo debaixo da terra. Pense nas aves: elas são descendentes diretas deles e estão por aí há mais de 100 milhões de anos, mas nenhuma virou toupeira", diz Martin. "Eu não diria que é impossível", pondera Varricchio. "Talvez o fator limitante seja o tamanho, e nós não temos dinossauros muito pequenos que não sejam aves."


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