04/08/2007 – 06h30
Nairóbi, 4 ago (EFE) – Os grupos rebeldes da região sudanesa de Darfur, que vive um conflito armado desde 2003, continuam neste fim de semana suas conversas na tentativa de resolver suas divergências internas antes de abrir negociações com as autoridades.
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O encontro de três dias começou na sexta-feira, em Arusha, no norte da Tanzânia, organizado pela União Africana e pelas Nações Unidas.
O Conselho de Segurança da ONU autorizou na terça-feira o desdobramento de uma força híbrida UA-ONU de até 26 mil soldados, para substituir o contingente africano presente hoje em Darfur. O governo do Sudão aceitou a medida.
A reunião dos rebeldes começou na noite de sexta-feira, com breves declarações dos organizadores. À tarde, houve uma rápida rodada de consultas entre os poucos negociadores que tinham chegado a Arusha.
No início do conflito, em fevereiro de 2003, os rebeldes que tomaram as armas para protestar contra a pobreza e a marginalização de Darfur formavam dois grupos: o Movimento de Libertação do Sudão (MLS) e sua dissidência, o Movimento de Justiça e Igualdade (MJI).
Desde então, as forças se dividiram muito mais e atualmente há mais de 10 facções.
O MJI assinou um acordo de paz com as autoridades sudanesas em maio de 2006, como resultado das conversas de paz em Abuja, na Nigéria. O seu líder, Minni Minawi, se integrou ao governo. Mas, como o MLS não aceitou o acordo, na prática a região continuou em conflito.
O líder do MLS, Abdelwahid Mohammed Noor, também está boicotando a reunião de Arusha. Ele alega que um cessar-fogo deveria ser a condição prévia para qualquer diálogo. Além disso, acusa muitos dos grupos rebeldes de não ter legitimidade e afirma que a presença deles só vai multiplicar ainda mais as facções desejosas de tirar proveito de futuras conversas com o governo.
Os diplomatas da ONU e a UA esperam que o encontro de Arusha leve a uma postura comum entre os diferentes movimentos rebeldes antes de uma futura nova rodada de negociações de paz com o governo.
Calcula-se que o conflito em Darfur já deixou mais de 200 mil mortos e 2 milhões de deslocados e refugiados.
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